Publicado por: andresilvabern em: Junho 7, 2008
Dias sem escrever. Parece que a rouquidão pós-gripe fez com que eu calasse até as palavras escritas.
Foram dias um tanto estranhos esses últimos. Dias aparentemente normais. Eu mesmo parecia normal, embora por dentro houvesse uma inquietação, uma chateação.
Ficar gripado me tirou de um certo frenesi que se alimentava semanalmente dos meus encontros com V, Lu e Angie. Precisei faltar o encontro da semana passada, o que me foi um golpe enorme. Uma certa prostração começou a me tomar e, quando eu menos percebi, já estava requestionando idéias relacionadas a meu solo. Ou seja, crise à vista. Passei a desgostar do que eu tinha produzido. De onde eu parti, quais eram as motivações iniciais mesmo? O que produzi de mais concreto, para onde sinto que estou indo? Bauman já tinha alertado que identidade não é lá um dos temas mais fáceis de se lidar.
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Hoje fiz um programa dose dupla: A vida dos outros (filme alemão ganhador do último Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – merecidamente) e Nippon (exposição no CCBB em comemoração aos cem anos de integração Brasil-Japão).
Cheguei atrasado ao filme, o que lamento até agora. Mas, depois de acontecer a mesma coisa em três dias seguidos – tentei assistir o filme no Shopping da Gávea na quarta e quinta-feiras passadas – dei de ombros para o atraso e enfrentei o filme mesmo já tendo começado.
O filme é excelente (a exposição não menos), mas não quero descrever cenas nem enumerar suas qualidades. É filme para ser visto e digerido por cada um à sua maneira. Inevitável para mim foi não pensar em meu solo, no Expedição Corpo em pleno burbulhar criativo, em mim e nas histórias que fazem de mim quem sou. Histórias, sensações, vivências, pontes, nomes que, de acordo com Clarice Lispector (em A Paixão Segundo GH), são intervalos para a coisa. Coisa, entenda-se, que sou eu.
Pensei no vazio do personagem de Ulrich Mühe, cuja vida era a vida dos outros que o título em português antecipa. Pensei na minha mãe. E pensei mais uma vez em meu solo, que nada dizia a mim mesmo. Que nada dizia das muitas coisas que eu tenho para dizer.
Acho que tenho pensado muito.
Junho 10, 2008 às 8:40 pm
vamos pensar juntos? será que o pensamento de um pode ser dois? será que um pensamento pode ser quatro, pode ser número? pode ser coisa? será que pensamento pode ser gente caminhando na rua? será que pode ser alguém numa janela vizinha? eu também.