intervalo ô-go-sou-soá

Êta papo bom!

Publicado por: andresilvabern em: Julho 5, 2009

Formação de platéia, marketing, arte conceitual, consumo, TV, cultura de massa… êta papo bom esse da galera de Teresina! Dois posts quentíssimos do pessoal do Núcleo do Dirceu:

http://www.nucleododirceu.com/2009/07/terceiro-dia-e-contando.html

http://www.nucleododirceu.com/2009/07/comentario-que-virou-post-por-falta-de.html

O responsável

Publicado por: andresilvabern em: Julho 5, 2009

Boyzie Cekwana (coLABoratório/Panorama de Dança) está sendo o responsável por nos unir mais. Refiro-me a nós, os artistas-bolsistas, que, apesar de já estarmos no terceiro período de residência, ainda pouco nos conhecemos. Não apenas em termos do que cada um desenvolve fora daquele espaço de convivência, mas num âmbito mais profundo e, ao mesmo tempo, sutil.

Através de exercícios e dinâmicas de contato-improvisação, ele (Boyzie) e Melanie, sua parceira e assistente, têm tocado e cuidado de nossos corpos-espíritos-mentes de maneira bastante especial. O tema é identidade, o que me interessa bastante, mas não há espaço para excesso de conceitualizações.

Boyzie e Melanie vêm propondo uma aproximação do tema a partir de aparentemente simples dinâmicas de ocupação do espaço, baseadas numa rotina fixa de movimentos criados por nós e na interação destas.

Pulsão de imagens

Publicado por: andresilvabern em: Junho 22, 2009

A intensa residência de Tamara acabou na última sexta-feira, quando apresentamos uma coletânea (chamada Pulsão de imagens, a partir de uma série de Fernanda Eugênio) de performances , instalações e propostas cênicas que são fruto de nosso encontro com a mesma (e com Cristian, da residência anterior).

Para mim, foi um ótimo exercício, um teste de idéias. Estava interessado no possível feedback de quem estivesse presente e visse minha instalação acontecer. Digo isso porque passamos a última semana experimentando formas de mostrar em que ponto nossas pesquisas estavam. E lá estava a minha última (ou melhor, a primeira) resolução posta à prova.

Minha instalação (que chamei de Bricolage) refletiu, de forma propositadamente desconectada, onde me encontro no que diz respeito aos meus interesses individuais. A forma desconectada a que me refiro tem muito a ver com o fato de eu estar produzindo material que não provém de uma fonte única. Não acho isso ruim, por isso quis propor a convivência de três elementos, que ainda não estão devidamente desenvolvidos, num mesmo espaço.

Os três elementos em questão são: 1) a experimentação da desentrevista em vídeo (exibido numa televisão que estava dentro de um carrinho de compras do Extra); 2) uma improvisação a partir de alguns movimentos e gestos fixos (fruto de meus ensaios privados no Centro Coreográfico); e 3) a série Aquisições (uma lista do que tenho consumido, comprado, durante o último mês) em áudio.

A instalação foi apresentada tendo os elementos 1 e 2 dentro da Galeria (Centro Coreográfico). Havia uma caixa de som do lado de fora, que tocava o aúdio da série Aquisições (elemento 3).

De uma maneira geral, o feedback foi bem positivo. Houve críticas em relação à TV dentro do carrinho, pois ficava difícil ler as mensagens do vídeo. Outra crítica construtiva diz respeito ao meu objetivo com a improvisação, algo que realmente ainda não está claro para mim.

(…)

Morre Roberto Pereira. Acabei de saber via idança.net. Lamento muito mesmo… ainda lembro das lições dele durante a oficina Investigações Coreográficas. Que fragilidade é estar vivo!

(…)

Adicionei uma nova aba aqui no blog, reVOAda. Contém informações gerais sobre uma ação performática que estou desenvolvendo juntamente com alguns companheiros do coLABoratório (a saber, Aluisio Flores, Astrid Toledo, Damares D’Arc e Stela Guz). Lá, tem link para o blog da ação, que é uma resposta ao lamentável acidente do voo 447 da Air France.

A elaboração de um arquivo

Publicado por: andresilvabern em: Junho 12, 2009

A elaboração de um arquivo tem se revelado uma maneira bastante inspiradora de colecionar material com potência de transformação. Como disse Tamara num desses dias, “acho que tenho material para criar peças durante dois anos”.

Estamos numa fase onde já conseguimos visualizar o montante reunido pelo arquivo e suas subdivisões. Isso permite que se tenha vontade de adicionar mais dados/exemplares às séries existentes ou até mesmo refazer algumas. Neste momento, também temos uma consciência maior de quanto falta para que algumas séries descortinem sua relevância de forma mais clara.

Hoje, especificamente, começamos a investigar, fuçar mesmo, o arquivo em sua totalidade. Ou seja, nossas séries e as produzidas pelos outros grupos. O objetivo é elaborar imagens, combinações aleatórias de informações presentes no arquivo a partir de 3 parâmetros: intervenção, combinação e narração.

A intervenção consiste em propor alguma alteração na série. Uma possibilidade de alteração é via tradução, ou seja, realizando uma leitura da série escolhida num formato diferente do original. A combinação é simplesmente colocar duas ou mais séries acontecendo ao mesmo tempo, no mesmo espaço. Já a narração consiste em criar um discurso a partir da combinação de uma ou mais séries.

Tudo isso deve ser feito sem muito compromisso de criar obras, idéias, segundo Tamara. Essa seria uma fase potencializadora de insights a partir do que temos arquivado.

(…)

Paralelamente, sigo desenvolvendo algumas ferramentas e produzindo material em meus ensaios na Galeria do Centro Coreográfico. A desentrevista teve um desdobramento em vídeo na própria residência da Tamara (confira logo abaixo), mas continuo fazendo a versão em texto.

Criei essa ferramenta com o objetivo de subverter a estrutura padrão de uma entrevista. Parto de uma “afirmativa duvidosa” sobre mim mesmo a partir da qual derivo uma série de perguntas (geralmente limito a três perguntas). No vídeo, realizado em parceria com Astrid Toledo, Marcus Azevedo, Damares D’Arc, Stela Guz e Aluisio Flores, a afirmativa duvidosa e as perguntas eram escritas em pedaços de papel e postas em minha boca sucessivamente. Gosto da provocação que o vídeo faz na medida em que as perguntas e afirmativa não saem da boca, mas sim entram. Fico pensando que isso pode sugerir uma metáfora de internalização das perguntas (e posterior digestão?).

O conceito de série trazido pela Tamara me inspirou a criar Aquisições. Nesta série, faço uma lista de tudo o que venho comprando, adquirindo ao longo de um mês. Comecei fotografando, mas acabou não dando certo, pois esquecia e acabava jogando fora os pacotes e embalagens por acidente. Depois de alguns dias, assumi o formato texto inspirado por Bauman: A “subjetividade” dos consumidores é feita de opções de compra (…) sua descrição adquire a forma de uma lista de compras.

Retorno

Publicado por: andresilvabern em: Junho 7, 2009

Ontem retornei ao CoLABoratório, depois de quatro dias afastado por causa de uma virose que terminou em prisão de ventre. Surreal, mas é verdade. Argh!

A residência de Tamara Cubas já está em pleno vapor e tive que correr atrás do prejuízo a fim de acompanhar o ritmo das atividades. Ela, diferentemente de Cristian, tem trabalhado com um cronograma bem definido: chegamos às 8h e, até as 9h, temos tempo com o nosso grupo (sim, Tamara dividiu a galera em grupos) para ver vídeos (alguns deles os que foram produzidos nos dias anteriores) e delinear o plano de ação do dia; das 9h até 12h, colocamos o plano de ação em prática, após breves instruções da Tamara a cada grupo; e de 12h até 13h, fazemos uma reunião com todos os grupos para compartilhar o que foi produzido, pensado e quaisquer dúvidas que possam ter surgido.

Aparentemente, a partir do feedback que recebi dos colegas coLABoradores, Tamara tem desenvolvido as atividades em torno da construção de um arquivo. Inicialmente, ela definiu alguns territórios, que entendi como sendo as pastas do arquivo, um primeiro nível de catalogação. São eles: tempo, memória, afetos, perdas.

Dentro dos territórios, desenvolveremos séries, como naqueles conjuntos fotográficos onde as fotos têm algo visivelmente claro em comum. Só que essas séries podem ser elaboradas em vários formatos/mídias: além de foto, vídeo, texto e aúdio. Ficou combinado que cada série teria um mínimo de 3 dados ou exemplares.

Tamara começou sugerindo duas séries: Manual de Instruções e Antes e Depois. Ontem, tivemos que criar mais três dados (diferentes daqueles já feito como exemplos nos outros dias) para cada uma delas, além de desenvolver outras 3 séries nossas, mais autorais enquanto grupo. No meu grupo (eu, Astrid, Damares, Aluisio, Stela e Marcus) criamos Desentrevista (como gerar perguntas, baseada numa ferramenta que estou desenvolvendo), Evidência (reconhecendo a presença anterior de alguém ou de algum acontecimento, contribuição da Astrid) e Mensagens em Espaços Públicos (a partir de uma idéia da Damares). Desentrevista é a única em vídeo, sendo as outras pensadas para foto.

Ensaio 2

Publicado por: andresilvabern em: Maio 21, 2009

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Pesquisa

Publicado por: andresilvabern em: Maio 20, 2009

“Na minha busca por direções para como proceder com a pesquisa me deparei com um texto interessantíssimo do teórico e performer Marten Spangberg sobre a idéia de pesquisa, processo e colaboração.
Ele diz que tudo isso começou a tomar forma como tal, ou seja, as pessoas começaram a realmente falar de pesquisa como concepção para seus projetos no início dos anos 90, e aí, a partir daí essas idéias foram “institucionalizadas” pelos festivais, teatros e editais no mundo inteiro. A idéia de estar em um processo, mostrar uma pesquisa, colaborar e fugir de um resultado fechado e pronto virou a “grande coisa” da contemporaneidade, principalmente em se tratando de dança, talvez pelo corpo fazer cada vez mais parte central das discussões e por essa arte se aliar definitivamente à ciência e à filosofia, por exemplo.

Spangberg aposta também na idéia de que toda pesquisa deve ser capaz de contribuir com alguma informação geral, para toda e qualquer pessoa, que possa contribuir consideravelmente para algo a mais do que apenas o resultado de si mesma. Mas ressalta que deve ser levado em consideração o fato de que a pesquisa tem que encontrar sua especificidade na área escolhida, quer dizer, se a pesquisa é em dança, tem que ser descoberto algo que só através da dança pode ser dito, que só através da dança pode ser conseguido através da pesquisa.”

*retirado do blog de Marcelo Evelin

Ensaio

Publicado por: andresilvabern em: Maio 17, 2009

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Dirceu na Caixa

Publicado por: andresilvabern em: Maio 16, 2009

Depois do furacão Cristian Duarte (já sinto saudades do jeito maluquinho dele!) e sua residência no CoLABoratório, estamos em recesso até junho. Enquanto a residência de Tamara Cubas (Uruguai) não começa, a galera tem se organizado para ocupar o Estúdio 2 do Centro Coreográfico com suas pesquisas e experimentações.

Ontem reencontrei Damares, Stela, Morena e Aluisio na estréia do Núcleo do Dirceu no Teatro Nelson Rodrigues (CAIXA). Eles (o pessoal do Núcleo) também fazem parte do CoLABoratório e a idéia é estabelecer uma rede de comunicação com o que estão pensando lá em Teresina (Dirceu é um bairro da periferia de Teresina). Infelizmente, ainda não foi ontem que iniciamos esse diálogo – já havíamos tentado via skype com a presença do Cristian e nada!

Do programa de ontem (que se repete hoje), Corpo manual e 2heterogêneo são peças que apresentam propostas interessantes, mas que, de alguma maneira, esbarram em referências muito fortes (óbvias?). A segunda peça, inclusive, resvala, por vezes, no mero exibicionismo de acrobacias.

Corpo manual me lembrou muito de Formas breves, de Lia Rodrigues. Gostei muito da tensão gerada através da presença marcante da intérprete com seu banco. Depois, ainda houve um desdobramento interessante em termos de movimento, mas fiquei me perguntando por que o banco foi deixado de lado. 2heterogêneo certamente conta com a performance-de-tirar-o-fôlego dos rapazes e tem momentos muito inusitados como, por exemplo, a dança-robô ao som de um solo de guitarra. Por outro lado, a referência aos jogos eletrônicos foi apresentada de maneira bastante inocente.

O Núcleo continua se apresentando até o domingo, com mais duas peças: Mono e Mediatriz.

Tarefas (tasks) segundo Cristian Duarte

Publicado por: andresilvabern em: Maio 11, 2009

“O que são tarefas?

São restrições, parâmetros e/ou condições formulados para produzir material físico, situações, resíduos ou questões que auxiliem no andamento de um projeto, de uma pesquisa, de uma idéia, de uma criação. A tarefa pressupõe o exercício de formular e comunicar, para um grupo de pessoas, de forma objetiva e precisa, um campo de ação individual e/ou coletivo.”

* retirado do comentário do coreógrafo na comunidade CoLABoratório 2009 na rede movimiento.org.

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